:: AltaMontanha.com

:: Página Inicial

:: La Paz

:: Oruro

:: Potosi

:: Uyuni

:: O Salar de Uyuni

:: Lagunas e Flamingos

:: Geisers e Laguna Verde

:: Vale de la Muerte

:: Rumo ao Pacífico

:: Parinacota e Sajama

:: La Paz e Chacaltaya

:: Outros Roteiros

:: Contato


TEXTOS E FOTOS
Rosa Moura
Johny Genvensis

WEB
Hilton Benke

 
Chile Sur

La Paz e Chacaltaya



portal do sol


"Estar de novo em La Paz é uma emoção muito particular. Depois de percorrer o interior do país e cruzar a fronteira para o Chile, confirmamos que é estar em uma metrópole que em muito se diferencia das demais - algo difícil nestes tempos de globalização.

Nesta volta, resolvemos penetrar ainda mais na sua autenticidade. Escolhemos uma das encostas mais verticais e mais ocupadas desse vale. Pedimos a informação de qual ônibus poderia nos levar até o alto e partimos para nossa aventura urbana.

Apanhamos um micro que passava por Max Paredes - nome de bairro e de uma das principais avenidas que sobe naquela direção. Passamos lentamente pelo congestionamento das ruas centrais, já começando a subir. A cada parada, dava a impressão de que aquela velha jardineira não daria conta de continuar. Engano! De vagar e sempre fomos passando entre ruas de comércio cheias de barracas nas calçadas, como uma grande feira, e gente cruzando em todas as direções. As últimas barracas ficavam perto de uma praça onde estava a subprefeitura de Max Paredes. Mas, dalí, o ônibus continuou subindo, e parada após parada, foi enchendo.

Embarcaram muitas índias com suas trouxas coloridas, saias enormes e chapéus. Da janela, víamos casas e mais casas como que empilhadas umas sobre as outras. Enquanto a avenida ia fazendo longos ziguezagues, entre as curvas apareciam pequenas ladeiras de pedra e muitas escadarias, bem verticais, desenhando uma paisagem única. O ônibus continuou a subir até que atingiu o plano. Ali descemos. Fomos até o mirante Faro de Murillo e mapeamos a cidade. Lugar por lugar por onde já tínhamos passado, igrejas, praças. Depois observamos o contorno dos nevados. De frente, o Illimani estava o mais descoberto que já tínhamos visto, mas ainda com chapéu e cachecol!!!

Pelas ruas, conhecendo o paceño



Descemos a pé até o centro. Caminhamos lado a lado das casas empilhadas; quase todas sem acabamento, em bloco vermelho, algumas poucas com os mesmos blocos de barro marrom que vimos nos povoados do interior da Bolívia. Mas, cada uma com um detalhe particular, que lhe dava a feição do dono: uma cortininha, um canteiro com flores, ervas, um pequeno comercio na porta - e há muitas pequenas vendinhas que vendem de tudo. Descemos pelas ladeiras de pedra, desenhadas como caminhos incas e muito verticais, e pelas escadarias, que também fazem ziguezagues com pequenos patamares. Por elas, um movimento de pessoas transportando de tudo, índias, muitas índias com suas trouxas multicolores, crianças brincando, gatos...

Nos portões, alguns cachorros latiram e algumas crianças nas portas nos olharam curiosos. Pelos becos, estavam carros estacionados em lugares que não se imagina acesso, caminhões fazendo entregas, enfim, a rotina urbana. Paramos, no meio da descida, em outro mirante, o Jach'a Qullu, demos um zoom no mapa anterior e percebemos que o Illimani estava um pouco menos vestido. Descemos muito mais até que chegamos numa rua mais comercial, onde paramos para comer o menu do dia de um comedor de segundo andar: sopa de entrada e como "segundo" arroz, salada, carne de "res" e gelatina de sobremesa. Cerveja, nem pensar.

Esses comedores são autorizados a vender apenas gasosas, e cumprem. O chão muito sujo, mas a comida, saborosa, e os meninos que serviam, muito simpáticos. Havia uma profusão de broasted pollo pela rua, ou seja, frango assado, servido aos pedaços, com banana frita. Mas preferimos algo mais da terra. Depois, seguimos nossa descida, já adentrando a feira.

Uma feira diversa e interminável

Em La Paz, talvez pelo modo de vida das populações indígenas, o espaço público é efetivamente usado publicamente. Assim, tudo se passa nas ruas. Continuando nossa descida confirmamos isso. As primeiras barracas da grande feira estavam dispostas beirando as calçadas, em ruas com trânsito de gente e veículos. Logo depois, entramos por ruas que só tinham barracas. A variedade oferecida era impressionante: vendiam de ferramentas a roupas, do figurino típico das índias, à moda globalizada em marcas piratas, sapatos, malas e alimentos.

Foram horas de um caminhar descobrindo usos - conversar com as índias nas partes da feira que vendiam suas roupas e sapatos foi muito incrível; elas ficavam lisonjeadas em perceber que achávamos bonitas as saias rodadas e pregueadas, com estampas e brilhos, e as anáguas franzidas e com muito "bordado inglês" (um acabamento discreto, feminino e já pouco usado por aqui), e riam muito quando elogiávamos as peças, mostrando seus dentes dourados.

Descobrimos raízes, várias cores de batata natural e desidratada (o chuño, pequena e preta, que acompanha muitos pratos, e a tunta, também pequena mas branca), frutas, temperos, carnes, sementes, e muita gente maravilhosa. Em meio às barracas, muitas servem refeições, Então, por toda parte tinha gente comendo, sentada em caixotes ou acocoradas, como fazem as índias. São pratos prontos de fricasé (sopa picante) ou chairo paceño (sopa não picante), chicharron de cerdo ou pollo (porco ou franco em pedaços miúdos bem fritos), e salteñas (as empanadas, algumas picantes).

Aprendemos a conhecer os pratos e conseguimos algumas receitas. Era temporada de tunas (ou figos-da-índia, como também se diz no Brasil) - o fruto dos cactus - e as índias vendiam em carrinhos-de-mão, tirando as cascas cheias de espinhos com uma destreza assustadora. Eram tunas esverdeadas, amarelas, alaranjadas e até roxas, nunca vistas por aqui.

Pudemos provar algumas e sentir um sabor raro. Foi raro também o sabor do suco de tumo, espécie de maracujá silvestre mais avermelhado e miúdo. Fomos conhecendo também o paceño: de poucas palavras, mas pronto para uma boa conversa, simpático e gentil. De repente, em meio à feira, numa bifurcação da rua, avistamos em frente o Illimani, já quase descoberto. Terminamos a descida com sacolas de quínuas, tunas, folhas de coca, mantas de lã, CDs de grupos do altiplano (Fernando Jimenez, Savia Andina e Kala Marca são de uma autenticidade e uma sonoridade inquestionáveis) e pães, porque são irresistíveis os pães de vários formatos que as índias vendem, sempre arrumados em altas pilhas. Trouxemos ainda um encantamento indescritível. No vale, o Illimani já se mostrava todo, como uma recompensa no fim da tarde, depois de tanto flerte. Foi nossa última tarde. Mas, deixar La Paz é sempre renovar a promessa de estar de volta. E que seja feita e cumprida essa promessa ainda por muitas vezes!

Os nevados dos arredores

Em outra vez que estivemos em La Paz, iniciando outro roteiro, pudemos ir até o Chacaltaia. Fizemos isso em nosso segundo dia de viagem. Uma loucura para quem chega do Brasil, acostumado a baixas altitudes! O Chacataia é a pista de esqui (agora desativada) mais alta do mundo. O refúgio base do pico, onde funciona a sede do Club Andino Boliviano fica a 5.300 metros de altura e o cume a 5. 480 m. Está muito próximo de La Paz (36 km) e se chega até o refúgio em veículo, numa subida íngreme, por uma encosta completamente desértica, deixando para trás as llamas e as pequenas casinhas do início do caminho e tendo à frente a imponência do Chacaltaia, com seu cume nevado por todo o ano. Do refúgio ao cume é uma subida fácil, entre pedras e gelo, com uma vista do vale amplo e de pequenas lagunas verdes, e do conjunto de nevados que acercam La Paz. Em dias limpos, pode-se ver o Lago Titicaca e La Paz.

É possível se chegar, com facilidade a outros nevados da Cordilheira Real: Condoriri (13 montanhas entre 5.100 e 5.700 m, a 55 km de La Paz) e ao Huayna Potosi (50 km, 6.094m), e com pouco mais de empenho ao Hancohuma (6.427 m), Illampu (6.360 m), Chearoco (6.127 m), Chachacomani (6.074 m) e, evidentemente, ao Illimani (conjunto de 5 picos, atingindo 6.462 m). No verão, só se fazem trekking, percorrendo as regiões mais baixas, aproximando-se de lagunas e parando em vistas deslumbrantes dos cumes. No inverno, abre-se a temporada de escaladas. É preciso que a neve esteja dura para não correr risco de avalanches, comuns em outras temporadas, e ter equipamento apropriado.

O valle de la Luna e La Muela del Diablo

La Paz também tem seu vale com geografia lunar. Fica na direção sul da cidade (Calacoto), após a área de ocupação mais nobre. São estranhas formações decorrentes da ação da água e do vento. Dele se avista a Muela del Diablo (dente ou siso do diabo), um pico acentuado, mas acessível por uma subida de hora e meia. Tanto ao vale como à muela se chega em transporte público, saindo do Prado.

Mais detalhes?
Fale conosco:
Contato Johny Genvensis

Rosa Moura
Johny Genvensis




AltaMontanha.com :: Página Inicial :: La Paz :: Oruro :: Potosi
Uyuni :: O Salar de Uyuni :: Lagunas e Flamingos :: Geisers e Laguna Verde
:: Vale de la Muerte :: Rumo ao Pacífico :: Parinacota e Sajama
La Paz e Chacaltaya :: Outros Roteiros :: Contato
 


® Portal AltaMontanha.com ::: Todos os direitos reservados