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TEXTOS E FOTOS
Rosa Moura
Johny Genvensis

WEB
Hilton Benke

 
Chile Sur

Nossa Senhora de "La Paz" - Capital Boliviana

La Paz


"Chegar em La Paz é como um filme". Por avião, o sobrevôo dos nevados que circundam o profundo vale encaixado do rio Choqueyapu (mais parecido com uma imensa cratera), onde se assenta a cidade, e a linha de torres de pequenas igrejas contrastando com as casas baixas de El Alto (município metropolitano onde fica o aeroporto), acompanhando a reta da aterrissagem, são apenas suas locações iniciais.

La Paz é o que ainda se pode dizer de uma metrópole multicultural autêntica. Em suas ruas centrais se movem em comum acordo índias, com suas trouxas coloridas amarradas nas costas, onde carregam desde crianças até tudo aquilo que pode ser vendido ou recolhido no comércio diversificado das calçadas; multidões de transeuntes, incluindo turistas de toda a parte do mundo; manifestantes dos mais diversos segmentos, particularmente camponeses e indígenas; velhas jardineiras que se mantêm fazendo o transporte público local; vans-lotação, com meninos gritando o itinerário numa linguagem totalmente incompreensível para o novato; táxis e poucos carros particulares; e tudo sob um buzinar constante, porém que pouco incomoda. A sensação que se tem é que é impossível transitar, atravessar ruas, enfim, locomover-se, seja em veículos ou a pé. No entanto, tudo acontece como que sincronicamente e todos chegam a tempo onde pretendem.

Centro de La Paz - Bolívia

Esse aparente caos se instala numa geografia muito particular: a cidade se estende na direção do vale profundo, centrado pelas avenidas Mariscal Santa Cruz, depois 16 de Julio (já no Prado), embrenhando-se por vales secundários, encaixados, com vertentes íngremes, densamente ocupadas, resultando numa arquitetura urbana sem similar.

La Paz - Bolívia

Desde El Alto, situado na extremidade do Altiplano, a quase 4.100 m de altitude, ao centro da cidade, qualquer acesso contorna essas encostas numa descida de quase 500 m (a praça Murillo, marco zero da cidade, está a pouco mais de 3.600 m.s.n.m. Do vale, a visão do Illimani, alcançando o céu, se assemelha a de um protetor, que vigia e cuida - uma visão em nada exagerada, pois de seus picos nevados verte toda a água que abastece essa capital de mais de 1,5 milhão de habitantes.

O circuito central e histórico

Feira Livre em La Paz - Bolívia

No centro, edifícios do século 19, início do 20, contam a história do poder, como o Palácio Presidencial (ou Palácio Quemado, por já ter se incendiado duas vezes) e o Congresso Nacional, ou a Catedral, que circundam a Plaza Murillo, no início da vertente oeste do vale. Muito próximo dali estão os vários museus da Calle Jaén (dos costumes, do litoral boliviano, dos metais e a Casa Murillo). Essa rua faz parte do circuito histórico da colonização, com seus casarios com balcões em madeira trabalhada (pequenos terraços que sobressaem à alvenaria da construção), e abriga lendas como a de que antigamente era passagem de seres estranhos e casos sobrenaturais.

Igreja e Convento de San Francisco - Bolívia

Próximo também está a Igreja e Convento de San Francisco, construído em pedra no século XVI, em estilo barroco mestiço, com altares revestidos em ouro e prata. Sua escadaria é o ponto de encontro de mochileiros, comerciantes, passantes e devotos. Situam-se no início de um circuito muito percorrido por turistas (calles Sagárnaga, Linares, Illampu e Rodriguez), com lojas de artesanato, peças em prata e cerâmica, mercado das bruxas (com pilhas de fetos de llamas que servem de oferenda a "pachamama" na busca de boa sorte), pequenas agências de turismo, internet e um mercado de rua continuamente aberto, com banquinhas que vendem de tudo. Quase sempre aos cuidados de índias.

A presença indígena

Lojas em La Paz - Bolívia

As índias são silenciosas, com enormes saias rodadas, estampadas, com muito brilho, xales com franjas, chapéus, tranças compridas, sapatinhos de pontas arredondadas, o rosto queimado, duro e ao mesmo tempo meigo, dentes enfeitados com ouro revelados em sorrisos rápidos, e a trouxa colorida pronta para subir às costas.

Talvez seja essa a imagem mais fantástica de La Paz: a presença exuberante de uma população indígena que participa do enorme comércio urbano, oferecendo seus artesanatos, suas colheitas, seus animais, suas ervas e temperos, e por que não, produtos que resultam de uma forte indústria de confecções que contribui na economia contemporânea boliviana. Uma população que participa ativamente das manifestações políticas e que luta ferrenhamente contra a entrega da economia a um processo de globalização que pode destruir, sem contemplação, uma cultura e uma identidade em relação harmônica com um ambiente hostil, mas pródigo.

O vale moderno

La Paz à Noite - Bolívia

Há também em La Paz a porção moderna. Enquanto as ocupações pobres se apinham nas encostas, as classes médias e altas se alinham nos vales. A "Zona Sur" da cidade (Obrajes, quase 500 m abaixo da Plaza Murillo, avizinhando-se do Valle de la Luna), é habitada por uma população com poucos, ou quase nada, traços indígenas. Amplas avenidas, lojas comuns a outras cidades do mundo, amplos supermercados, construções modernas e pós-modernas. Índias, por lá, são serviçais ou pedintes. Entretanto, aprofundar-se no vale é quase claustrofóbico, já que não há saída na direção contrária ao centro; apenas alguns poucos povoados indígenas, já subindo a outra ponta da encosta. Isso, de certa forma, coloca La Paz subordinada a El Alto, que tem condições de controlar o acesso à capital ou o escape dela - situação não incomum, dada a efervescência política que vive a sociedade boliviana, com freqüentes bloqueios de rodovias ou da via expressa que ascende a La Paz. Nesse exótico cenário, o entardecer torna os nevados ainda mais brilhantes e o chegar da noite pontua com milhares de pequenas luzes as vertentes habitadas".

Onde ficar: La Paz tem hotéis para todos os bolsos. Para mochileiros, há dezenas de alojamentos. O Residencial Rosário (Illampu, 704, turisbus@caoba.entelnet.bo), um casarão colonial restaurado, muito bem cuidado e aconchegante, que procura valorizar a cultura aymara, é o preferido por mochileiros do mundo. Dos apartamentos da frente se vê um pedaço do Illimani. A diária é de aproximadamente U$ 18, incluindo banho privado, café da manhã, chá e internet livres. O Hostal Tambo de Oro (Armentia, 367), mais modesto, também é um casarão, de cujo salão superior, todo envidraçado, se tem uma vista inesquecível da vertente oeste de La Paz. Fica muito perto do terminal rodoviário e as diárias são U$ 5 (com banho privado) e U$ 3 (com banho compartido), sem café da manhã.


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