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TEXTOS E FOTOS
Rosa Moura
Johny Genvensis

WEB
Hilton Benke

 
Chile Sur

Geisers e Laguna Verde


Nem um minuto depois das 4 horas, Sr. Nestor já batia à porta chamando-nos para prosseguir viagem. Já estávamos vestidos, o que acelerou a partida. Recarregado o Toyota, seguimos em plena noite na direção dos geisers. Evidentemente que a trilha sonora foi a mesma. Todos já sabíamos de cor e salteado os acordes das escolhidas do Carnaval de Oruro. Descobrimos então que Dália era professora de música, e que já não agüentava mais uma nota sequer! Ela sugeriu que fosse colocada outra fita. Entrou, então, o ritmo moderno local, que se ouve nas ruas e nas estações de rádio. Sentimos saudades do Carnaval de Oruro!

Geisers

A viagem foi um subir contínuo por entre nevados que brilhavam ainda sob luz da lua. Aos poucos, fomos nos aproximando deles, acercando-nos de seus cumes brancos. As partes planas do caminho também estavam brancas com a nevezinha da noite. Atingimos os 5 mil metros quando já começava a clarear o dia e pudemos avistar, muito próximo, fumaças localizadas.

Estávamos em Sol de Mañana. Com pequena distância entre elas, as fumarolas levantavam nuvens de vapor como fumaça que refletiam os primeiros claros do dia. Um cheiro forte de enxofre não deixava dúvidas de que a atividade vulcânica segue seu curso. A terra fervia.

Inúmeras pequenas crateras estavam como que cozinhando lama, borbulhando, salpicando respingos ferventes em quem ousasse se aproximar demais. Foram chegando os veículos e logo o local ficou repleto de extasiados. Circulamos por entre fumarolas, fendas e fervuras, aquecidos pelo sopro da terra, ocultos no vapor denso que se espalhava com o sol. Ao mesmo tempo em que a singularidade do local convidava a explorar ao máximo, a estar o mais próximo de cada borbulhar, sentindo a temperatura, o cheiro, o vermelho incandescente de algumas "panelas" de lama, provocava um senso de medo ou insegurança, por não se poder calcular até que ponto esse fervilhar manso não poderia se converter numa explosão e nos expulsar a todos dali.

Águas termais

Clareado o dia, o vapor foi se dissipando. Percorrendo o Vale de Dali (teria essa paisagem inspirado uma pintura de Salvador Dali?), cercado por nevados que tinham nuvens como cachecol, seguimos até a Laguna Verde (que tem dois corpos unidos por um pequeno canal), onde os grupos fizeram o café da manhã e puderam tomar um bom banho na piscina de águas termais de Chalviri.

Laguna Verde e Vulcão Licancabur

Com sol, o verde dessa laguna se acentua. Ele deriva da presença de enxofre e carbonato de cálcio nas águas. O Licancahur (ou Licancabur, como se diz no Chile), com seus 5.868 m, reinava à frente de um céu que amanheceu completamente azul, e se replicava nas águas da laguna.

Caminhamos ao longo da Laguna Verde de onde se tem uma vista perfeita dessa majestade, em sua face norte. Na seqüência da viagem, pudemos admirá-lo por todos os lados. Esse vulcão, que tem na cratera um lago muito verde, e o Uturuncu (6.008 m), em sua cercania, são muito procurados por montanhistas. Está em construção um abrigo de montanha, mas em Quetena Grande e Quetena Chico, pequenas comunidades da área, pode-se conseguir apoio básico para as caminhadas.

Não subimos desta vez! Pouco antes das 10 horas já estávamos no paso Hito Cajón - fronteira da Bolívia com o Chile. De lá, um micro-ônibus nos levaria até San Pedro de Atacama. Os veículos de turismo bolivianos não cruzam a fronteira. Despedimo-nos e fizemos as derradeiras fotos com Sr. Nestor, que em poucos minutos já articulou um grupo que vinha do Chile, para seguir em seu veículo até Uyuni. Uma viagem que, segundo ele, seria feita em um dia. Do posto fronteiriço, pudemos ver ao longe a Toyota vermelha retornando na direção do Salar. No momento, uma vontade de estar voltando junto, revendo, na ordem inversa, toda aquela seqüência de maravilhas, inesquecíveis, e participando das visitas prometidas aos que retornam: Vale de las Rocas, os povoados de Villamar, Culpina, San Cristobal, Jijira, em Coquesa subir o vulcão Tuñupa para uma panorâmica do Salar... Mas tínhamos muito pela frente.

Leve a sério: informações sobre as regiões de geisers como Sol de Mañana ou El Tatio sempre recomendam cuidado ao se aproximar das fumarolas. De fato, as áreas são cobertas por uma lama escorregadia, principalmente nos horários das visitas, ainda muito úmidas. Numa das "panelas" pudemos ver as marcas de um escorregão que chegou até a borda da cavidade.



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